quarta-feira, 17 de junho de 2009

Necrológio dos desiludidos do amor

Os desiludidos do amores
tão desfechando tiros no peito.
Do meu quarto ouço a fuzilaria.
As amadas torcem-se de gozo.
Oh quanta matéria para os jornais.

Desiludidos mas fotografados,
escreveram cartas explicativas,
tomaram todas as providências
para o remorso das amadas.
Pum pum pum adeus, enjoada.
Eu vou, tu ficas, mas os veremos
seja no claro céu ou no turvo inferno.
Os médicos estão fazendo a autópsia
dos desiludidos que se mataram.
Que grandes corações eles possuíam.
Vísceras imensas, tripas sentimentais
e um estômago cheio de poesia...
Agora vamos para o cemitério
levar os corpos dos desiludidos
encaixotados completamente
(paixões de primeira e de segunda classe).

Os desiludidos seguem iludidos,
sem coração, sem tripas, sem amor.
Única fortuna, os seus dentes de ouro
não servirão de lastro financeiro
e cobertos de terra perderão o brilho
enquanto as amadas dançarão um samba
bravo, violento, sobre a tumba deles.
Carlos Drummond de Andrade.


Inspirado e suspirado no Necrológio dos desiludidos: Bilhete de adeus
.



((Adoraria ouvir com você, Janis Joplis cantar Summertime,
neste momento.
Amenizaria minha dor ou a
dividiria com você a melancolia dos últimos suspiros do fim))

Sentada daqui da onde estou, te vejo dormindo. Não posso dizer a você que tens a serenidade de um anjo no repouso do sono divinal. Não. Tens a força e a virilidade de um deus pagão do Olimpo. Não posso te dizer que, apesar da calma do infinito céu azul de Outono do dia que amanhece, foi na minha vida uma “brisa suave”, definição para romances de “princepesas” . Não. Foi um destes furações com nomes de mulheres que destruíram cidades de acordes de blues americanos. Foi assim. Envolveu-me no seu centro. Destruiçao total, aviso de calamidade pública! Desmontou-me e na reconstrução fez-me outra e enquanto dormi, na paz de mais um noite inesquecível de amor, digo adeus. Prometo não olhar para traz. Tudo que te disse é verdade: te amo. Mas, devo olhar a frente.

Queime e esqueça depois de ler!

sexta-feira, 5 de junho de 2009

des-rimando.
























Do encontro fugaz
Te fiz uma rima

Daquelas rasas
Sem asas:
Travesseiros
Ordeiros


E com o dedo em riste:
Meu bem
Vai pró além!


Não sou mulher de rimas!


Bato descompassadamente
A vida me pulsa descontrolavel…

Não existe mente
Existem devaneios...